Entrevista a Paulo Cardoso

27-01-2016 15:43

 

 

Um grupo de amigos provenientes de Guimarães participou pela primeira vez no Dakar. A equipa constituída por Paulo Cardoso, Pedro Lopes, Pedro Rodrigues, Nelson Oliveira e José Oscar Nogueira fundaram a Q8 Team e a CRN/NVE para conquistarem o sonho de percorrer as terras da Argentina e Bolívia. O OLHAR DIREITO acompanhou a aventura da equipa portuguesa ao longo dos 16 dias de prova, tendo conseguido arrancar uma entrevista a Paulo Cardoso, que falou sobre a experiência. 

 

"O Dakar é uma prova que está presente no imaginário de todas as pessoas que gostam de aventura"

 

 Por que razão concorreste ao Dakar?

 O Dakar é uma prova que está presente no imaginário de  todas as pessoas que gostam de aventura e todo o terreno. No inicio do ano passado, através de um concorrente veterano do Dakar ( Pedro Bianchi Prata), aceitámos um convite em forma de desafio.

Os objectivos foram cumpridos?

A nossa forma de participação foi especial porque só há 40 vagas. Fomos como imprenssa de competição, mas também podemos fazer o mesmo que os outros concorrentes, embora tenhamos mais liberdade de acção, como é a possibilidade de entrar e sair dos percursos destinados á prova, além de não termos horários. O nosso objectivo, seria terminar o Dakar e ao mesmo tempo estar dentro dos bastidores. Os objectivos foram  quase todos cumpridos, mas fica sempre a sensação que se podia fazer mais.

Encaraste a prova como um divertimento ou para alcançar determinado objectivo?

Sempre com o divertimento que todas as provas deveriam ter. Quando há muito profissionalismo, o divertimento, fica de lado. Divertimo-nos bastante e também conseguimos conhecer o outro lado do Dakar.

Quais foram os aspectos positivos da participação?

Conhecemos dois povos de uma maneira especial. Nunca vi tanta admiração e carinho por um evento como este. Fomos sempre recebidos como heróis. Ter contacto com as paisagens que a maioria das pessoas ignora e nunca chegará a ver, a não ser numa prova destas, pois são bastante remotas e inóspitas. Por fim, estar perto dos heróis que fazem isto acontecer, os mecânicos, organizadores, as forças de segurança destacadas, os que arrumam o lixo enfim, sem eles nada funcionava.

E os negativos?

Apesar de ter uma visão positiva da vida, também houve aspectos negativos. Por exemplo o excesso de competitividade que há nas equipas da frente (tiram a génese do evento), o cariz comercial da organização e a sua intransigência em muitos aspetos. No geral não passam de situações menores.

Que tipo de trabalho (logístico, mental, físico) é necessário fazer para participar numa prova destas?

No aspecto mental, temos que estar preparados para uma aventura de 20 dias completos com as mesmas pessoas, o que por vezes não é fácil. No entanto, a nossa amizade fez com que tudo se resolvesse na hora. Fisicamente também é exigente, mas nada comparável a quem faz o Dakar de moto, esses são os verdadeiros loucos/heróis. Em termos logísticos, tínhamos que antecipar todos os movimentos porque levávamos tudo no carro, como eram as tendas, sacos cama, roupas, comida bebida, kits de primeiros socorros e de sobrevivência, ferramentas, peças suplentes. O carro estava atestado até à rolha. Por isso sempre que era necessário tirar algo estava sempre no meio de tudo.

Qual é o verdadeiro espírito do Dakar?

 Aquele que começou com o seu fundador, espirito de sofrimento, camaradagem e entrega total ao objectivo de chegar ao fim da prova mais dura do mundo.

Pretendes repetir a experiência?

Adorava repetir a experiencia porque agora sei como o Dakar funciona por dentro.

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