Entrevista a José Milhazes

18-01-2016 21:28

O jornalista José Milhazes vai lançar um novo livro intitulado "Rússia-UE: uma parte do todo" no próximo dia 27 de Janeiro na Sala dos Arquivos da Câmara Municipal de Lisboa, tendo aceitado falar sobre o tema da obra para o OLHAR DIREITO. As relações da Rúsisa com a União Europeia deterioraram-se após a separação da Ucrânia em 2014, mas ainda existem motivos suficientes para uma aproximação entre os dois blocos. A entrada de um novo inquilino na Casa Branca também pode modificar a actual política norte-ameircana relativamente a Moscovo. 

 

"Moscovo representa uma ameaça no sentido em que desrespeita as fronteiras existentes no Velho Continente"

 

Por que razão decidiu escrever o livro?

Foi-me feito o convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos e eu aceitei, tanto mais que em português há muito poucos trabalhos sobre o tema.

Na sua opinião, em que áreas a Rússia e a União Europeia deveriam colaborar?

Em todas as áreas possíveis: económica, política, social, combate ao terrorismo, integração europeia, etc.

Qual seria o papel dos Estados Unidos?

O papel dos Estados Unidos manter-se-ia tanto no que diz respeito à Europa e à Rússia. Uma maior cooperação entre a UE e a Rússia não implica obrigatoriamente uma redução da cooperação entre a UE e os EUA. 

O que tem falhado para haver mais cooperação?

Perspectiva para o futuro. Por um lado, a Rússia realiza uma política externa agressiva e demasiadamente dispendiosa para a sua capacidade económica, Moscovo quer ter um papel hegemónico e quase absoluto no antigo espaço soviético. Por outro lado, a União Europeia não tem uma política externa e de segurança comum. Criou demasiadas expectativas em países como a Ucrânia, mas mostra-se incapaz de resolver os problemas.

Trata-se de uma questão de lideranças?

Em grande parte sim. Neste momento há políticos que lutam por vitórias nas eleições, têm perspectivas de curto e médio prazo, são mesquinhos. Além disso, as máquinas burocráticas são cada vez maiores, o que impede reacção rápida aos problemas.

Acredita que a questão ucraniana já está devidamente ultrapassada?

Neste momento, a questão ucraniana está apenas "congelada". Será um longo e difícil caminho.

Em que medida Moscovo representa uma ameaça para a União Europeia e vice-versa?

Moscovo representa uma ameaça no sentido em que desrespeita as fronteiras existentes no Velho Continente. Quanto à UE, neste momento, ela é apenas uma ameaça a si própria, não tem forças nem meios para mais. 

O novo presidente da Casa Branca poderá mudar a relação com Moscovo?

Depende de como evoluir a situação internacional, mas a relação será mais fácil se vencer um candidato republicano, com quem os russos se dão sempre melhor.

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